quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Sabedoria Oriental



Acompanho o movimento cultural do Capão Redondo há mais de 20 anos. Quando morei lá, no início dos anos 80, a coisa funcionava no boca-a-boca. A tecnologia mais avançada para divulgar um show ou uma festa era o bom e velho cartaz colado nos postes próximos aos pontos de ônibus.


Hoje temos a internet e o Capão entrou de corpo e alma na web. A diversidade e o talento do bairro que já foi o mais violento do mundo, felizmente, continuam a mil também no século 21.


É lá do Capão que vem um alerta importante. Está em franca e animada produção o novo álbum do rapper Sniper. O disco será o sucessor do politizado 'Resistência e Inteligência', lançado em 2007.


O rapper divide, ou melhor multiplica, o seu tempo entre o hip hop e a filosofia oriental. Campeão mundial de Kung Fu e especialista em técnicas terapêuticas de massagens, o rapper defende o auto-conhecimento e a persistência da cultural oriental como ferramentas para se tornar um ser humano melhor.


Prova viva da superação e êxito pessoal, o rapper tem sonhos e planos ambiciosos para o futuro. Desde de janeiro, ele publica um blog com as novidades sobre o novo disco e alguns dos ensinamentos que norteiam o seu trabalho.


 O endereço do blog do rapper é o http://www.sniperri.blogspot.com/


Good vibrations e paz

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Miles Davis fez história



O melhor disco de jazz da história, sem a menor dúvida de errar é o 'Kind of Blue', do trompetista americano Miles Davis. Lançado em 1959, esse álbum redefiniu o jazz e, até certo ponto, a música mundial. O hip hop até hoje bebe dessa fonte. Os grandes nomes do gênero usam os recursos inovadores do mestre Miles Davis.

Eu, particularmente, tenho um carinho muito grande por esse álbum, pois ele está relacionado intimamente a fatos marcantes na minha vida. Só para citar um deles,  foi o 'Kind...' que me acompanhou quase que diariamente nas longas sessões extras de estudos para o vestibular em 1990. Não sei se foi a dedicação ou as goods vibes do álbum, mas eu passei em 68º lugar no concorrido vestibular da Cásper Líbero.


Mas o que eu quero falar sobre esse álbum  fundamental para a história da música é um assunto que está ligado a todas as grandes obras da humanidade: Preparação, Planejamento, Esforço e Talento.


Para realizar uma grande obra, seja lá em qual área, é preciso muito desses quatro fatores. A falha em um desses quesitos pode por tudo a perder.


No caso de 'Kind of Blue', Miles e o seu incrível quinteto fizeram quatro álbuns que serviram de gestação para o 'Kind...'. Três deles pelo selo Prestige e um pela Columbia, que foi a gravadora desta obra prima do jazz. Em todos eles sobram exemplos de preparação, planejamento, esforço e, é claro, talento.

A cada álbum a revolução musical de 'Kind..' foi tomando forma e arrebatando seguidores.


Os ábuns são:


Workin' (Prestige)
Cookin' (Prestige)
Relaxin' (Prestige)
'Round about midnight (Columbia)


Nos próximos post, eu vou falar um pouco sobre esses álbuns e a construção da maior mudança do jazz de todos os tempos.


Good vibration e paz!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Assim disse Rashid

Imaginar uma outra realidade. Pensar o mundo por uma perspectiva diferente. Explorar possibilidades. São pensamentos assim que fomentam a criatividade da mente humana e, até certo ponto, construíram a sociedade que temos hoje.
Pode parecer filosofia, mas a base disso tudo é a sobrevivência. Fico muito feliz em saber que esse sentimento de inquietude e desafio está cada vez mais presente no nosso hip hop. Um grande exemplo disso é o single 'E se' lançado há alguns dias e que estará no tão aguardado álbum de estreia do rapper previsto para  o dia 31 de março.
A música é um convite para a reflexão e, ao mesmo tempo, um manifesto sobre o grau de compromisso que é preciso ter para fazer rap.
Impressiona a evolução musical do Mc Rashid nesse single com produção do Laudz. A canção é cheia de energia e cria uma grande expectativa para o álbum 'Hora de Acordar'. Sem dúvida nenhuma será um dos destaques de 2010. Em pouco menos de cinco dias, o single teve cerca de 6 mil audições no myspace.
Eu ouvi a exibição de número 6.004 e me lembrei de alguns encontros que eu tive com o Rashid nesses últimos anos. Foram entrevistas, bate papos casuais em shows, um workshop e um almoço. Em todos eles, o rapper em algum momento citou o seu comprometimento e a sua paixão pelo rap. Daí que vem toda a verdade da sua música. Com a bagagem de um leitor voraz e seletivo, que lê uma média de dois bons livros por semana, Rashid capricha nas rimas e não perde tempo com mensagens vazias. Vale a pena ouvir.

O myspace do artista
www.myspace.com/mcrashid

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Carta de coração aberto

Novidades são sempre bem-vindas. Havia um tempo, antes dos e-mails, torpedos e msn, que as cartas eram as portadoras de boas novas.
Em dezembro essa tradição foi um pouco resgatada. Foi numa sexta-feira, bem depois das 23h, que eu recebi essa carta. Na verdade, eu tive que ir atrás dela lá na porta da Rinha dos MCs.
Era lá que naquela noite o MC Projota estava vendendo o recém-lançado EP 'Carta aos Meus' _uma das melhores produções de 2009. Por apenas R$ 5, levei para casa uma baita explosão sonora de criatividade. São oito faixas caprichadas que revelam o talento do rapper nas rimas. A produção é caseira, mas isso não significa falta de qualidade. Pelo contrário, o time é de primeira: mixagens do DJ Caique, scratchs do DJ Zala, vocais da Pandora, entre outros.
Projota já havia se destacado na cena com a excelente 'Lauzane' composta com o parceiro MC Rashid, que na minha opinião é, até agora, a melhor música sobre quebrada de todas.

No EP o padrão de qualidade é mantido. Destaque para as dançantes 'Brasília de neguim' e 'Rato de quermesse'.
A homenagem singela ao amor materno está presente em 'Véia'. Uma canção forte que bate fundo no coração de quem já não tem mais a mãe por perto. Para mim essa canção resume um sentimento triste que eu sinto desde 2004 e que talvez nunca vá passar.
Para fechar em grande estilo, o EP termina com 'Nóiz', uma saraivada de frases certeiras como: "A nossa luta é pela vida e não tem como perder esse guerra". O EP é vendido pelo e-mail: projota@gmail.com. O myspace do rapper é o www.myspace.com/mcprojota


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Grammy do 50 Cent não foi merecido

Algumas fórmulas estão se desgastando rapidamente no rap internacional. A imagem de bad boy durão que tem o mundo todo contra ele, mas está sempre com a razão não tem mais o magnetismo hipnótico dos anos 90, conhecido como gansta rap. Isso é um ponto importante para o rap, pois demonstra uma evolução tremenda de valores. Caras como o Mos Def estão fazendo a diferença nesse sentido. Mesmo sem o reconhecimento merecido.
O último álbum do 50 Cent, 'Before I self-destruct', lançado no final do ano passado nos EUA, é uma repetição dessa fórmula desgastada do rap gangsta. É um disco que não acrescenta nada ao ouvinte atento de rap. Apesar disso, o músico ganhou o Grammy o que prova o retrocesso da indústria fonográfica que ainda confunde vendagem com talento. O prêmio foi de 'Melhor interpretação em dupla ou grupo de rap - Crack A Bottle, Eminem, Dr. Dre & 50 Cent'. Em disco, porém, o rapper não é tudo isso.
O 50 Cent exagera, ao longo de todo o álbum, a imagem de herói incompreendido e senhor da razão. Nas letras ecoam versos contra os inimigos e exaltam a imagem de valentão, exemplo disso é a faixa 'Death to my Enemies'. Nada no disco lembra a faceta de empresário bem-sucedido, milionário mimado e dono de grife de roupa do rapper, que durante os meses de fevereiro e março estará em turnê pela Europa e Egito.
A produção do disco é recheada com batidas criativas e tem convidados de peso. A faixa 'Psycho' com a participação do Eminem se destaca., mas não salva o álbum.
Espero que no próximo álbum o rapper pare de olhar para o próprio umbigo e faça por merecer o prêmio que recebeu.

Para saber mais sobre 50 cent, confira o site oficial do artista www.thisis50.com